Ensemble Med

A Música Antiga não é Antiga. Somos contra o cronocentrismo, i.e. a ideia de que a Música do Presente é uma Evolução em relação à Música do Passado: “A Música é a melhor luta contra a Amnésia Histórica da humanidade” (nas palavras de Jordi Savall). O Ensemble Med [med: mediterrâneo/medieval] é um laboratório de pesquisa e criação musical, que tem como foco o ponto de contacto entre os universos da música antiga e tradicional historicamente informada, procurando a sua própria interpretação viva e atual, numa abordagem multicultural e transversal. O Ensemble tem trabalhado com diversas formações, destacando músicos como Yenisey Gomez (canto), Rui Silva (percussões históricas), Didier François (viola d’amore a chiavi) e mais recentemente, o mestre gaiteiro Carlos Nunez (International Keyboard Festival [IKFEM] Tui, Galiza, 2020), com um programa sobre Cantigas Sacras Galaico-Portuguesas, Mauricio Molina (Encontros Med 2020, Monsanto, Idanha-a-Nova) e Adrian Rodriguez Van der Spoel (Encontros Med 2021, Monsanto, Idanha-a-Nova). Nasceu em Utrecht, Países Baixos e desde então tem-se apresentado regularmente ao público não só nos Países Baixos, como na Geórgia, Turquia, França e Portugal, destacando mais recentemente Rota do Românico (Mosteiro de Travanca), Casa da Música (Porto/Verão na Casa), Festival Imago Mundi (Clermont-Ferrand, França), Museu Oriente (Lisboa), onde estiveram ao vivo na Antena2.

Em 2020/2021, devido à pandemia de Covid’19, o Ensemble propôs um novo olhar sobre a música antiga e a eletrónica em tempo real, em parceria com o músico José Alberto Gomes (Sonoscopia / Porto). Em 2020 estrearam “O Canto da Sibila”, com direção musical de Maurício Molina (Curso Medieval de Besalu / City University of New York), assim como “Dies Irae” para eletrónica solo, e em 2021, estrearam “1515: O Rinoceronte de Dürer”, com direção musical de Adrian Rodriguez Van der Spoel (Música Temprana), evocando a música do tempo de D. Manuel I no ano em que se completaram 500 anos sobre a sua morte (1521-2021), e apresentando obras de cancioneiros ibéricos e italianos do séc. XV/XVI e duas obras para eletrónica solo e com canto ‘A los banos del amor’I e II. Em 2023 são selecionados como European Festival Emergent Artist (EFFEA) da European Festivals Association, com o projeto ADUFEIR@, residência artística de criação sobre património de tradição oral da aldeia histórica de Monsanto com Amélia Fonseca (Adufeiras de Monsanto) e José Alberto Gomes (composição e eletrónica), em parceria com Tamburi Mundi (Alemanha), Barabanza (Ucrânia) e Valmiermuižas Etnomūzikas Festivāls (Letónia). Na continuidade do trabalho em relação com a música eletrónica em tempo real de José Alberto Gomes, estreiam em 2024, BOMB@, uma criação artística que explora o cruzamento da música antiga, a música de tradição oral portuguesa e a contemporaneidade da música eletrónica, inspirada no Minho e Beira Interior e na filmografia de Giacometti, tendo estreado em novembro de 2024 no Centro Cultural de Carregal do Sal. Têm sido apoiados pela Direção Geral das Artes, Instituto Português de Camões IC, Programa Shuttle do Município do Porto e Programa Ibermúsicas, através do qual se apresentaram em setembro 2023, no Festival Internacional Artes Vertentes, Tiradentes, Brasil. São o Ensemble residente do encontro de artistas da Bacia do Mediterrâneo ENCONTROS MED [mediterrâneo/medieval], sob a inspiração da tradição dos Adufes, um dos símbolos maiores da tradição e riqueza musical do concelho de Idanha-a-Nova (Portugal), em parceria com o Município, Cidade Criativa da Música da UNESCO e entidade parceira do Ensemble, desde 2018.



Diálogo Interculturas no Mediterrâneo Medieval

Ensemble Med

#MúsicaAntigaRevisitada

“Diálogo Interculturas no Mediterrâneo Medieval” é um programa intimista que homenageia o património musical medieval de raiz mediterrânica, procurando evidenciar a riqueza intercultural desta região, de uma forma historicamente informada, tanto na música escrita como na tradição oral. O repertório procura evidenciar o entrecruzamento estilístico entre as culturas coexistentes neste período na península ibérica: cristãos, judeus sefarditas e mouriscos, assim como o seu diálogo com o oriente, nos territórios da diáspora sefardita. Esta viagem musical intercultural almeja o potenciamento da consciência histórica e, nas palavras de Jordi Saval (Embaixador da União Europeia para o Diálogo Intercultural e Artista para a Paz), contribuir humildemente como antídoto para a amnésia histórica da Humanidade.

Ensemble Med

Flautas, adufe e direção Daniela Tomaz
Canto Joana Godinho
Viola d’amore a chiavi Sérgio Calisto
Percussão Laurent Safar



programa

I OCIDENTE/ORIENTE legado sefardita “A los baños dell amor, sola m’ire”

A los Baños dell Amor Cancionero Musical del Palacio

Si Verías A La Rana Canção Tradicional Sefardita

Cantigas Sefarditas recolhidas por Isaac Levy

Porque Llorax blanca niña 

Morenica a mi me llaman

Morena Me Llaman

   

II A ORIENTE: Turquia“Va por el mar de Levante, Tal que temblaba Turquía”

Makam Rast «Murass’a» Usul Duyek, Tradicional Turca

Üsküdar’a Gider İken, Tradicional Turca / Melodia Diáspora Sefardita


III A OCIDENTE: Cantigas da virgem e da terra  “O virgo splendens

Nembresette, Madre de Deus  Cantiga de Santa Maria 421, Alfonso X 

Flavit auster flatu Codex Huelgas

Par Deus, non e mui sen guisa Cantiga de Santa Maria 316, Alfonso X 

 

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Cantiga de Ceifa

Coro das Maçadeiras 

Senhora do Almurtão 

Cantigas de Santa Maria  105, 376-77, 119, Afonso X

Rosa das Rosas

Cantiga de Santa Maria 10, Alfonso X