Sete Lágrimas

Fundado em Lisboa, em 1999, por Filipe Faria e Sérgio Peixoto, Sete Lágrimas assume o nome da inovadora coleção de danças do compositor renascentista John Dowland.

Profundamente dedicados aos diálogos da Música Antiga com a contemporaneidade – bem como da música erudita com as tradições seculares –, Sete Lágrimas junta músicos de diferentes horizontes musicais em torno de projetos conceptuais animados tanto por profundas investigações musicológicas como por processos de inovação e criatividade em torno dos sons, instrumentário e memórias da Música Antiga.

Nestes projetos são identificáveis os diálogos entre a música erudita e a popular, entre a Música Antiga e a contemporânea e entre a secular diáspora portuguesa dos Descobrimentos e o eixo latino mediterrânico convertidos em som através da fiel interpretação dos cânones performativos da Música Antiga como de uma aproximação a elementos definidores da música tradicional ou do jazz.

Desde a sua fundação, o grupo desenvolve uma intensa atividade concertística de centenas de concertos na Europa e Ásia. Em Portugal como no estrangeiro, as temporadas de concertos e a sua extensa discografia de 15 títulos são elogiadas pela crítica e pelo público.

Sete Lágrimas conta com o apoio da Direcção-Geral das Artes do Ministério da Cultura e do Município de Idanha-a-Nova. É representado e editado pela Arte das Musas.

Folia Nova

Nova Música Antiga de Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre poesia portuguesa dos séculos XV e XVI

Filipe Faria e Sérgio Peixoto partiram de novo para o tempo, viajando pelo vasto território da língua, na sua métrica, ritmos e harmonias, como se levitassem entre-mundos, resgatando da poesia portuguesa dos séculos XV e XVI as palavras, para as reinventar em novos sons, novas melodias, trazendo-as para a contemporaneidade, em analepses de magia. Os dois compositores escrevem os doze novos vilancicos que compõem Folia Nova, como estações cronográficas da intemporalidade, usando da “folia” – no Auto da Sibila Cassandra, de Gil Vicente (1465/1536), a folia, de origem portuguesa, é caracterizada como uma dança de pastores – o seu tradicionalismo harmónico e rítmico, para um universo conceptual, diálogos de criatividade, novas linguagens. O vilancico é uma das mais importantes expressões poéticas e musicais da música sacra barroca da Península Ibérica, muito popular e amplamente executado do século XV aos confins do século XVIII. Na sua forma primitiva era do profano. À bolina da sua popularidade, disseminou em sacro território, como uma heresia que lentamente se tornou hóspede da liturgia.

Sete Lágrimas

voz, viola de mão 4 ordens, bandurra descante, percussão e direção artística Filipe Faria 
voz e direção artística Sérgio Peixoto
flautas Pedro Castro 
guitarra barroca, guitarra romântica, tiorba Tiago Matias 
contrabaixo João Hasselberg 

Programa

Bernardim Ribeiro (1482?–1552?)
Nunca foy mal nenhum moor

Luiz Vaz de Camões (c.1524-1579/1580)
Endechas a Bárbara escrava

Diego Ortiz (c.1510-c.1576)
“La Folia”

Pêro de Andrade Caminha (1520-1589)
Es tan grave mi tormento

Tiago Matias (n. 1979)
Fandango

Anónimo (s.XVI)
Ysabel y mas Maria

Diego Ortiz (c.1510-c.1576)
“El passamezzo antiguo”

Anónimo (s.XVI)
Lágrimas de saudade

João Roiz de Castel-Branco († após 1515)
Cantiga sua, partindo-se,

Diego Ortiz (c.1510-c.1576)
“El passamezzo moderno”

Gil Vicente (c.1465–c.1536)
Dicen que me case yo

Anónimo (s.XVI)
Amor loco

Pêro de Andrade Caminha (1520-1589)
Soñava, madre, que via

Anónimo (s.XVI)
A partida que me aparta